“Uma cultura organizacional saudável não acontece por acaso; constrói-se com liderança, ética e responsabilidade”.
Num passeio orbital sobre as variadíssimas páginas que por hábito o faço à matina, confronto-me com inesperados alvitres sobre a necessidade de um ambiente salutar no laboral. E um ambiente saudável no laboral não é feito em passo de mágica, nem tampouco num estalar individual de dedos de um membro de uma determinada organização. O ambiente de trabalho é o reflexo dos valores que a organização pratica diariamente.
Dentre os valores éticos fundamentais destacamos a igualdade, a liberdade, a fraternidade, a honestidade e a justiça. Muitos destes valores são considerados pertinentes na elaboração de uma conduta laboral. A esta altura já devemos todos saber que é factor obrigatório a fixação do código de conduta no meio laboral. Este importante documento de relevância interna serve de regulamentação das boas práticas e que inibem, concomitantemente, os inúmeros actos eivados de comportamentos que maculam a dignidade e que podem manchar toda uma atmosfera de uma organização de estrutura laboral. Não obstante, é importante salientar que nenhuma estratégia empresarial prospera num ambiente marcado pelo medo, pela desconfiança ou pelo desrespeito.
Pode-se, numa linguagem pouco técnica, considerar a relação existente entre os valores éticos fundamentais e o código de conduta como uma bússola que vai reger toda uma vida de uma determinada organização. A sua elaboração não deve fugir muito daquilo que é a raiz de convivência entre as pessoas. A curial intenção não é despadronizar nem quebraros níveis salutares existentes na veia dos profissionais da organização. Antes, porém, é estabelecer um padrão de convivência que norteiam os passos da organização para o desenvolvimento.
O sucesso de uma organização começa na forma como se tratam os seus colaboradores. O Princípio da Igualdade que está estabelecido na Constituição da República de Angola, no seu artigo 23º, estabelece no seu número 2 que “ninguém pode ser prejudicado, privilegiado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da sua ascendência, sexo, raça, etnia, cor, deficiência, língua, local de nascimento, religião, convicções políticas, ideológicas ou filosóficas, grau de instrução, condição económica ou social ou profissão”.
Um ambiente laboral ético protege os colaboradores, preserva a reputação da organização e fortalece a confiança da sociedade. Este número do artigo supra acaba dirimindo qualquer fresta que permita com que a violação deste princípio aconteça ao nosso bel-prazer.
Já o grande filósofo grego Aristóteles, nas suas abordagens no que toca a igualdade, diz que a igualdade não deve ser materializada nestes termos. Ele acaba trazendo uma nova roupagem dizendo que “igualdade é tratar o igual de forma igual e o desigual de forma desigual, na medida da sua desigualdade”. É em este descontextualizar que dizemos “mutatis mutandis”, com as devidas aspas, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.
Nesta maré de ondas rasas, no que toca aos valores pertinentes para um código de conduta, temos a fraternidade, um valor ético que não pode ser confundido com a irmandade, pois o primeiro aborda sobre a relação com a pessoa, a dignidade da pessoa humana e a igualdade de direitos e a irmandade está ligada aos laços consanguíneos.
Não querendo fazer deste artigo de opinião uma tese incansável, dentre os valores pertinentes está também a honestidade, que por sua vez não deve ser confundida com a integridade, pois a honestidade tem de ver com o ser verdadeiro e não só dizer a verdade, enquanto que a integridade, não importa o que estejamos a fazer, se estamos a ser vistos ou não, que façamos sempre porque o contrário viola a nossa essência.
O código de conduta deve estabelecer as condutas ilegais, as práticas que não devem ser objecto de actuação num ambiente laboral, pois o laboral acaba sendo o lugar onde muitos de nós acaba passando grande parte do seu tempo e,muitas das vezes, consumindo energias negativas.
As melhores equipas não são apenas formadas por profissionais competentes, mas por pessoas que sabem respeitar e colaborar, e pessoas bem tratadas pelas organizações tendem a dar a sua própria vida para o desenvolvimento da mesma.
*Compliance Officer e Estudante finalista da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Angola